GENERINO BATISTA
Generino Batista não estudou nem as primeiras letras, mas expressa todo o seu sentimento com suas próprias palavras. Certa vez, ele cantava em uma de suas felizes noitadas e o seu parceiro terminou uma sextilha dizendo:
Meu respeitável colega
tanto fala como erra...
Generino, humildemente, responde:
Eu moro num pé de serra
que não sabe ler ninguém
o meu pai chama "promode"
minha mãe chama "quiném"
e o filho de um casal deste
que português é que tem?...
Certa vez cantava em uma casa humilde, numa vila onde nem energia havia. O candeeiro aceso e a sala, naturalmente, meio escura; o povo do lado de fora, fazendo pouco caso da cantoria, da dupla humilde e do ambiente. O parceiro termina uma estrofe assim:
Nesta vida de cantar
nós somos dois menestréis...
Generino, com seu jeito de poeta, conformado com o seu estado de humildade, diz:
Nó somos dois caborés
cantando aqui neste escuro
é um em cima de um toco
o outro em cima de um muro
e quem "tá" de fora dizendo:
Ô caborés sem futuro!...
Todo mundo que estava fora entrou e aplaudiu.
(Extraído do livro ZÉ MARCOLINO - VIDA, VERSOS, VIOLA)
|