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Cachaça e Poesia

Pedi casamento à moça
e ela mandou me dizer
pelo velho vizinho dela
que eu deixasse de beber.

 Eu mandei dizer a ela
pelo mesmo portador,
que eu não deixo de beber,
nem que perca o seu amor.

 Para afogar minhas mágoas,
de vinho vou me fartar.
- Afogue-as antes com água
- Não, que elas sabem nadar.

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Vinho de cana é cachaça,
concha pequena é colher,
língua de velha é desgraça,
bicho danado é mulher.

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A cachaça geribita.
A neta de cepa torta,
Faz uns perder o tino
E outros errar a porta.

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 Não quero conselho amigo
Para eu largar de beber.
Quem não fuma, quem não bebe,
Que alegria pode ter?

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Desprezo vosso conselho,
Pra deixar de beber
Quero cumprir minha sina,
Na chuva quero morrer.

 Se beber alegra a gente
Fumar nos dá prazer
Quem não fuma, quem não bebe
Que alegria pode ter?

 No fundo de um alambique
Quero a minha sepultura,
Pois mesmo depois de morto
Quero me estar na fartura.

Do funil quero a mortalha,
Da pipa faça o caixão;
Se não tiver na garrafa,
Mas, ponha um copo na mão.

A cachaça é moça branca,
Filha de homem trigueiro.
Quem toma amor a ela
Não pode ajuntar dinheiro. 

Mandei fazer uma ponte
De madeira, de canela,
Pra passar toda a cachaça
Da ponte pra minha goela.

A minha cabeça inclina,
A minha cabeça derrama.
Dizem que todos bebem,
Eu sou é quem leva fama. 

A cachaça na garganta
Escorrega como o quiabo;
Quando chega na cabeça
Faz arte do diabo...

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  O beber não é tão bom
Quanto é o repetir;
A graça de quem tá bebo
É tombar e não cair.

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Cachaça é cuma morte,
Nunca escói a qualidade,
Matando pobres e ricos
E home de autoridade.

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Se beber morre.
Se não beber morre! 

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 Cachaça não seja tola,
Cachaça não seja besta,
Desça logo pra barriga
Mas não suba pra cabeça.

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A cachaça é minha prima
O vinho meu primo irmão
A cachaça eu bebo em copo
O vinho em garrafão. 

Eu não gosto da cachaça
E o vinho não posso ver
Quando eu pego na garrafa
Deixo os outros sem beber

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Aguardente geribita
feita da cana caiana
Eu bebo desde o começo
Até o fim da semana
O cantador só é forte
Quando canta e bebe cana!

Um pouquinho de aguardente
A muita gente conforta:
Faz esquecer a tristeza,
Revive a esperança morta
Até as mulheres bebem
Também por detrás da porta! 

Quando eu pego na viola
Disposto a cantar repente
Digo ao dono do "pagode":
- Traga um pouco de aguardente...
Bebo pra matar o frio
E bebo pra ficar quente!

Hoje bebe todo mundo
Deputado e senador,
Bebe o soldado, o sargento,
O juiz, o promotor.
Como é que pode deixar
De beber o cantador?

Siqueira de Amorim

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Cachorro que morde bode

Mulher que erra uma vez

Homem que bebe cachaça

Não há remédio pros três

  

"Queiram ou não queiram seus
Adversários, a Cachaça é
Uma utilidade pública brasileira,
Dado histórico nacional,
Remédio que não se compra
nas farmácias e costuma
Produzir muito mais efeito
Que as drogas sofisticadas,
Com suas bulas herméticas,
Não lhe faço apologia,
De que não precisa. Registro
Sua presença cultural,
Seu fascínio sobre a
Mente do povo."

Carlos Drummond de Andrade

Aos cachaceiros de plantão...  
Pra curar sua paixão, beba pinga com limão;  
Pra curar sua amargura, beba pinga sem mistura;  
Contra dor de cotovelo, beba cachaça com gelo;
Contra falta de carinho: cachaça, cerveja e vinho!  
Se brigar com a namorada, beba pinga misturada;  
Se brigar com a mulher, beba pinga na colher;  
Quem dá amor e não recebe, mistura todas e bebe;  
e se alguém te faz sofrer, beba para esquecer!!!  
Pra curar seu sofrimento, beba pinga com fermento;  
Pra esquecer um falso amor, beba pinga com licor;  
Pra acalmar seu coração, beba até cair no chão;  
Pra você ganhar no bicho, beba uma no capricho;  
Pra ganhar na loteria, beba pinga na bacia;  
Pra viver sempre feliz, beba pinga com raiz;
Se essa vida de cão só te faz sofrer... o remédio é beber;
Se você não tem sorte... beba pinga até a morte;
Se nada mais tem graça, encha a cara de cachaça!!!
 

 

 
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